Como uma mentoria pode ajudar profissionais de educação a crescerem

Você sabe o que é mentoria? Sabe identificar quando você precisa de um mentor? Quer saber mais sobre o assunto? Neste artigo vou tratar deste tema e te ajudar neste percurso.

Fonte: PixBay

Com certeza você já ouviu o termo mentoria e mentor. Mas você sabe exatamente o que é? Para esclarecer , vou começar definindo o processo de mentoria.

Mentoria, ou mentoring, é o processo desenvolvido por alguém com experiência em determinado assunto (Mentor) para apoiar uma pessoa ( Mentee ) a atingir determinado objetivo.

Neste momento você pode estar dizendo: Entendi Juliana, o processo de mentoria é um processo de coaching! E eu te digo que não!! Mentoring e Coaching são dois processos diferentes. Coaching é um programa que visa o desenvolvimento da capacidade e da habilidade de cada pessoa, sendo que o Coach não precisa conhecer a área de foco do cliente, ao contrário do Mentoring.

O mentor deve ser um profissional que saiba desenvolver o potencial do seu cliente e entender as habilidades que necessitam ser trabalhadas.

É muito importante destacar que mentoria não é conselho, é ORIENTAÇÃO! Todo o trabalho possui uma sistemática, para que o mentee alcance seu objetivo.

E para que serve a mentoria?

 As finalidades são muitas e citarei algumas:

  • Ajudar a analisar implicações, consequências ou relações de causa e efeito nas situações mais críticas
  • Identificar e discutir questões éticas
  • Discutir formas de fazer melhor as coisas certas
  • Aumentar a autoestima e a autoconfiança do mentorado
  • Discutir rumo da carreira e melhor estratégia para alcançá-lo
  • Auxiliar na formação do networking
  • Construção de ações estratégicas;

A mentoria se aplica aos profissionais da área educacional?

A resposta é sim! Cada vez mais estes profissionais estão buscando o aprimoramento, inserido a participação em programas de mentoring. 

Apresento a seguir algumas formas de mentoria na educação:

  • Mentoria para profissionais que estão começando como docente;
  • Mentoria para novos gestores educacionais;
  • Mentoria para desenvolvimento de competências pessoais e sociais;
  • Mentoria para acelerar a educação inovativa;
  • Mentoria para aprimoramento da gestão administrativa e pedagógica;
  • Mentoria para Desenvolvimento de liderança

Estas são apenas algumas das possibilidades.

E quais são os benefícios da mentoria?

  1. Apresentação de novas ideias e perspetivas
  2. Aconselhamento para desenvolver pontos fortes e ultrapassar pontos de melhoria
  3. Acompanhamento da evolução profissional
  4. Aumento da visibilidade e reconhecimento dentro da empresa
  5. A oportunidade de desenvolver novas competências e adquirir conhecimento

Quando buscar um mentor? 

Nossa vida pessoal e profissional é cercada de desafios e não é necessário que os enfrentemos sozinhos.

Em nossa vida pessoal, quando estes desafios surgem, procuramos uma pessoa experiente para nos orientar tal como um parente mais velho, um amigo, um padre, enfim, alguém que tenha passado ou presenciado aquela situação e que possa nos conduzir neste momento.

Na vida profissional não é diferente. Seja no momento de iniciar no mercado de trabalho, em um novo cargo, para desenvolver novas competências, devemos também contar com profissionais que já passaram por aquele momento e que nos ajudarão a superar os desafios.

Focando na área educacional, a mentoria é de grande valia! A educação vem sofrendo grandes transformações, tanto na sala de aula, quanto em seus processos. Pode ter alguém do lado, para guiar perante estas transformações é fundamental.

Citando o professor José Moran, a mentoria  “É um tema que precisa ser mais discutido na comunidade acadêmica, divulgando as melhores práticas, as novas oportunidades que o processo de transformação de escolas e universidades está trazendo para a Educação formal e informal, presencial e online em todas as etapas e níveis.”

E para finalizar, deixo uma fala de Fernando Pessoa, que adoro!!

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos que nos levam aos mesmos lugares. é tempo de travessia; e se não ousamos fazê-la; teremos ficado para sempre a margem de nós mesmos.”

Você se identificou com este processo? 

Tenho um programa exclusivo de mentoria que permite aos gestores, coordenadores e docentes  trabalhar as competências e práticas requeridas para o exercício desta função, visando a educação do Sec. XXI.

Para saber mais, entre em contato:  educacaoinovadora@julianaarvelos.com

Business Agility em instituições de ensino

Você já ouviu falar em Business Agility?

Segundo Evan Leybourn – fundador e CEO do Business Agility: “Agilidade de Negócio é a capacidade e a vontade de uma organização de adaptar, criar, e potencializar a mudança para o benefício de seus clientes!”

Fonte: PixBay

E como este conceito se enquadra nas instituições de ensino, considerando que, para muitos, aluno não é cliente?

Inicialmente, este conceito precisa ser revisto. Aluno é sim, um cliente. Se, por exemplo, ele pode trocar de instituição se acredita que a prestação do serviço não está sendo ofertada com a qualidade desejada, podemos então considerá-lo um cliente. Um cliente diferente, uma vez que não compra um produto físico ou mesmo virtual e sua participação, para que se consiga o sucesso, é fundamental. Mas ainda sim, um cliente.

Sendo assim, e como falamos sempre em inovação e transformação digital na educação, o business agility não pode ficar de fora.

Quem me acompanha já me ouviu falar várias vezes que a inovação na educação passa por 3 áreas: pedagógica, processos e uso dos espaços.

Inserindo o business agility nas instituições de ensino, devemos colocar os alunos como centro de referência para geração de valor. Tudo o que for feito deve agregar ao aprendizado e experiência do aluno.

E a inserção deste conceito no dia-a-dia das instituições vem junto com a mudança de mindset dos colaboradores, sejam eles discentes, gestores ou corpo técnico-administrativo.

É necessário então termos:

– Colaboradores com mentalidade de crescimento, senso de propriedade além do desenvolvimento da excelência;

– Operações/Processos com práticas ágeis. Para isto, toda a estrutura operacional deve estar voltada para a agilidade;

– Gestores que entendam um novo modelo estratégico para ambientes complexos, tendo a mentalidade de “One Team” (somos uma única equipe).

Mas, você pode estar se perguntando: e quais as vantagens de adoção do Business Agitily? Posso citar algumas delas:

  1. Desburocratização da instituição;
  2. Eliminar o conformismo (sair da zona de conforto);
  3. Incentivo de uma cultura de experimentação;
  4. Criação da cultura da instituição;
  5. Aumento do engajamento dos colaboradores;
  6. Aprendizado contínuo;
  7. Satisfação dos alunos e suas famílias.

Uma instituição ágil:

– Persegue oportunidade de negócios emergentes;

– Ajusta-se com flexibilidade às mudanças;

– Assume o risco apropriado e aceita um nível de falha individual;

Perceba, que dentro do business agility, são pensados vários conceitos que permeiam nosso trabalho dentro das escolas, tais como: inovação, transformação digital, movimento maker, mudança de mindset, cultura digital.

Os valores ágeis são:

– Tornar as pessoas incríveis;

– Entregar valor continuamente;

– Fazer da segurança um pré-requisito;

– Experimentar e aprender rápido.

Pense bem. Não é isto que queremos para nossos alunos, nossas escolas?

É muito importante revermos as 3 áreas que citei no início deste artigo: Pedagógica, processos e uso do espaço e vermos se realmente estamos atendendo às necessidades de nossos alunos. E isto vale do ensino infantil ao nível superior.

Ofertar uma educação de qualidade e significativa envolve muitas nuances e todas devem ser muito bem analisadas.

Escrito por Juliana Arvelos.

Instituições de Ensino Superior inovadoras

Quais as características de uma instituição de ensino inovadora?

Para que uma instituição de ensino seja inovadora, não pode haver apenas um projeto. A instituição, como um todo, deve ser inovadora.

Fonta: Pixbay

Podemos dividir a inovação em três áreas: pedagógica, processos e gestão educacional e, por fim, infraestrutura (espaços). Para que tenhamos uma instituição contemporânea, que realmente prepare seu estudante para o mundo do trabalho moderno, devemos atender a estas três áreas.

Vamos entender como a inovação aparece nestas três áreas, iniciando pela pedagógica.

Em termos de ensino especificamente, é importante atentarmos que devemos ofertar a educação que atenda realmente às necessidades do estudante, vislumbrando seu futuro.

Visto isto, é importante que a matriz curricular seja revista, atendendo alguns preceitos: atenção ao comportamento humano e aos processos de aprendizagem; encarregar-se da inovação nos métodos e na prática educacional; adaptar-se às mudanças da sociedade.

A relação do aluno e do professor é colaborativa, sendo que a comunicação entre os dois é cada vez mais valorizada. Não é possível mais reproduzir conhecimento. É necessário extrapolar o que conhecemos e aplicar esse conhecimento em situações novas. O conhecimento, o caráter, as habilidades e o meta-aprendizado precisam ser trabalhados interdisciplinarmente.

Cursos superior que ainda possuem matriz curricular engessada, com muitos pré-requisitos, foco em notas (muitas provas), uso de tecnologias apenas nos laboratórios (quando há) não estimulam o aprendizado. Instituições de ensino inovadoras reavaliam o que é ensinado, organizam as disciplinas tradicionais, adicionam disciplinas modernas e relevantes e dão ênfase ao aprendizado mais holístico.

Os processos educacionais (financeiro, matrícula, rematrícula, admissão de novos alunos, comunicação, biblioteca entre outros) não podem ficar em segundo plano. Estes processos, além de serem de extrema importância para o funcionamento da instituição, estão diretamente ligados à experiência proporcionada ao estudante. Para facilitar o entendimento, podemos dizer que:

  • Processo: É tudo aquilo que o potencial e atual aluno precisa fazer.
  • Experiência: É o que eles vão sentir ao realizar cada um dos processos educacionais adotados pela instituição.

A aquisição de tecnologias para organizar, otimizar e facilitar estes processos se torna fundamental.

Em termos de gestão educacional, é importante uma equipe aberta ao novo, que compartilhem a visão e objetivos da IES, que exerçam uma liderança inovadora e uma gestão menos burocrática e mais proativa.

Por fim, mas não menos importante, temos os espaços que a instituição ocupa. Os estudantes de ensino superior circulam pela instituição o tempo todo, logo, seus espaços devem ser atrativos e obviamente contribuir com a aprendizagem.

As salas de aula modernas são tipicamente espaços definidos, mas que serão utilizados para várias atividades. Em IES inovadoras, os espaços são muito bem pensados, não apenas para as aulas, mas também para uso de toda a comunidade.

Nestas instituições, geralmente, há uma boa oferta de wi-fi, possibilitando que alunos e professores utilizem qualquer ambiente disponível. Possuem espaços maker, que são lugares que permitem que a criatividade do estudante seja estimulada, um local onde o protagonismo do aluno é incentivado. Possuem espaços de convivência, muitas vezes abrindo a IES para que nela se instalem cafeterias, papelarias, restaurantes, bancos, ampliando assim a experiência do aluno.

Uma instituição inovadora pensa no uso de seus espaços de forma a melhorar tanto o ensino quanto o relacionamento do aluno com a instituição, fazendo com que ele passe mais tempo na IES, se aprimorando cada vez mais.

Instituições de ensino inovadoras já deixam esta mensagem em sua missão, visão. A seguir mostro alguns exemplos:

– Insper: Missão: Promover a transformação do Brasil por meio de formação de líderes inovadores e pesquisa aplicada — atuando com excelência acadêmica e visão integrada das áreas de conhecimento.

– PUCRS: Visão: Em 2022, a PUCRS, em conformidade com a sua Missão, será referência internacional em Educação Superior por meio da Inovação e do Desenvolvimento social, ambiental, científico, cultural e econômico.

– FACENS: Missão: Desenvolver profissionais cidadãos preparados para a vida. E como visão: Ser um ecossistema transformador de pessoas e da sociedade.

Citando o livro A Universidade Inovadora, é fundamental “considerar as necessidades dos estudantes universitários do sec. XXI, bem como os pontos fortes e os pontos fracos do modelo tradicional, particularmente à luz das novas tecnologias de aprendizagem e da missão da própria universidade”.

REFERÊNCIAS:

CHRISTENSEN, Clayton M; EYRING, Henry J. A universidade inovadora: mudando o DNA do ensino de fora para dentro. Porto Alegre: Bookman, 2014.

PROGRAMA DE IDEIAS PARA INSTITUIÇÕES DE ENSINO

O que é um programa de ideias? Como implementar e quais as vantagens deste programa em instituições de ensino?

Fonte: Pixbay

Com a presença crescente da tecnologia dentro das instituições, o conceito de inovação parece ter se tornado seu sinônimo imediato. Mas o simples investimento em ferramentas resolverá os desafios de inovação na educação para uma instituição de ensino crescer?

Compreendendo inovação como resultado da capacidade de criar soluções para problemas previamente identificados e como algo que vem de dentro para fora, a aquisição em si de uma tecnologia não é suficiente para garantir que sua instituição de ensino seja inovadora – ao passo que as ações que promovam a geração de uma cultura empreendedora e de inovação em toda equipe, podem sim ser determinantes.

Uma das ações que ajudam nesta geração de cultura empreendedora e de inovação é o Programa de Ideias. Mas, você sabe o que é este programa?

Segundo a empresa AVEVO, “Um Programa de Ideias tem como objetivo principal dar protagonismo aos colaboradores de uma empresa, permitindo que todos possam contribuir com ideias para o negócio.”

Imagine uma instituição de ensino que utilize este programa, tendo como participantes os docentes, discentes, corpo diretivo e administrativo? Com certeza ideias brilhantes de inovação irão surgir, melhorando a qualidade do ensino e o senso de pertencimento de todos os envolvidos, beneficiando não apenas este grupo, mas a comunidade na qual a instituição pertence.

E como implantar um programa de ideias em uma instituição de ensino?

Primeiramente este programa deve integrar-se à estratégia da instituição. Uma linha de propostas deve ser definida, a fim que haja foco no trabalho.

A seguir é necessário definir o grupo que irá fazer a gestão das ideias. Esta equipe será responsável por lançar os desafios à instituição, receber as ideias, avaliar e priorizar as mesmas, desenvolver o plano de implementação e definir a equipe de implementação.

Para ter um grande volume de ideias e que elas tenham qualidade, é interessante que a instituição faça um calendário de eventos de geração de ideias, promovendo discussão sobre temas nos quais se deseja inovar.

Não podemos esquecer que para este programa realmente funcione, a cultura da inovação deve estar disseminada em toda a instituição. Ações como concurso de ideias, workshops, treinamentos em assuntos tais como criatividade e desenvolvimento de ideiasauxiliam na promoção da cultura da inovação.

E quais os benefícios de uma instituição de ensino implantar um programa de ideias? A seguir vamos conhecer alguns destes benefícios:

– Aumento do senso de pertencimento de todos os envolvidos e beneficiados.

– Maior número de soluções que melhoram a qualidade do ensino e dos serviços ofertados pela instituição.

– Melhoria dos processos internos.

– Otimização do uso dos recursos.

– Aumento de parcerias de empresas com a instituição de ensino.

– Pioneirismo no mercado.

– Agregar valor ao nome da instituição.

Instituições de ensino são ambientes naturalmente férteis em ideias. Este programa servirá para incentivar a participação de toda a comunidade acadêmica, em um processo no qual todos se beneficiam.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Site Escolas Exponenciais: https://escolasexponenciais.com.br/desafios-contemporaneos/inovacao-na-educacao/ <acessado em 17/06/2021>

Site AVEVO: https://blog.aevo.com.br/programa-de-ideias/ <acessado em 17/06/2021>

Espaço maker nas instituições de ensino

Como os espaços maker podem auxiliar o desenvolvimento dos estudantes.

Fonte: Wikimedia Commons

Para que uma instituição de ensino seja inovadora, não pode haver apenas um projeto. A instituição, como um todo, deve ser inovadora.

Podemos dividir a inovação em três áreas: pedagógica, processos e infraestrutura (espaços). Para que tenhamos uma instituição contemporânea, que realmente prepare seu estudante para o mundo do trabalho moderno, devemos atender a estas três áreas.

Hoje vamos falar da infraestrutura, mais precisamente de espaços maker. Você sabe o que são estes espaços?

Estes são lugares que permitem que a criatividade do estudante seja estimulada. É um local onde o protagonismo do estudante é incentivado.

Mas, antes de entendermos estes espaços e como implantá-los, precisamos entender o que é o movimento maker.

O movimento maker pode ser traduzido em “faça você mesmo”. Voltado para educação, ele pode ser considerado uma vertente de metodologia ativa. Apesar de estar muito em voga, não é um conceito novo. Começou a ser utilizado no início do século XX e a partir de 1960 ganhou força nos Estados Unidos.

O movimento ganhou destaque a partir de 2005, quando Dale Dougherty, quando lançou a Make Magazine, considerada a bíblia do movimento. Em 2013 foi publicado o Manifesto Maker no livro O Manifesto do Movimento Maker: Regras para Inovação no Novo Mundo dos Artesãos, Hackers e Reformadores. Este manifesto traz as seguintes premissas:

  1. Fazer;
  2. Compartilhe;
  3. Presenteie;
  4. Aprenda;
  5. Equipe-se;
  6. Divirta-se;
  7. Participe;
  8. Apoie;
  9. Mude;
  10. Permita-se errar.

Partindo destas premissas, as instituições de ensino, do infantil ao superior, tem adotado os espaços maker em suas metodologias.

O espaço maker possui quatro pilares: trabalho baseado em projetos, aprendizagem aos pares, respeito às paixões e paixão por brincar.

E como montar um espaço maker?  A instituição precisa de muitos recursos? É necessário maquinário de ponta? Vamos por partes.

A instituição pode começar a montar este ambiente com custo muito baixo, usando, por exemplo, sucatas e materiais reciclados. Pode adquirir algumas ferramentas de marcenaria e solicitar que os alunos tragam de casa, retalhos de madeiras, lâmpadas led, tecidos, entre outros. A partir daí, o docente deve incentivar os alunos a usarem sua criatividade na elaboração dos projetos.

Para um espaço mais elaborado, a instituição pode montar uma marcenaria completa, investir na parte de eletrônica com equipamento de solda, circuitos integrados, impressoras 3D.

Mas, se o intuito for construir um espaço completo, pode ser construído um FAB LAB. Já ouviu falar destes ambientes?

Os Fab Labs são espaços mais completo que o espaço maker e que precisam seguir algumas premissas. Para que tenha esta denominação, ele deve fazer parte da Fab Foundation, uma rede criada pelo M.I.T (Massachusetts Institute of Technology). Os projetos criados nos Fab Labs devem ser compartilhados com sua rede. Obrigatoriamente, um dia da semana, o local deve ser aberto gratuitamente à comunidade.  Estes espaços devem contar com parte de marcenaria e eletrônica, além de impressoras 3D, cortadoras a laser, máquina CNC (Controle Numérico Computadorizado), fresadora entre outros equipamentos. Em Minas Gerais, a primeira instituição de ensino a ter um Fab Lab foi o Centro Universitário Newton Paiva, aberto em 2015.

E a pergunta que fica é? Por que construir estes recintos nas instituições de ensino?

Precisamos formar os estudantes para o futuro do trabalho, para profissões que ainda não existem, para usar tecnologias que ainda serão inventadas. Sendo assim, temos que desenvolver, nestes alunos, suas soft skills. É preciso que os discentes desenvolvam sua criatividade, seu pensamento crítico, sua comunicação e sua capacidade de colaboração.

Tantos nos espaços maker como nos Fab Labs, todas estas competências podem ser desenvolvidas.

E fica uma dica. Caso sua instituição não possa construir um ambiente deste, existem espaços maker e Fab Lab que fazem parcerias. É uma ótima oportunidade para começar.

Artigo publicado inicialmente no SIMI (Sistema Mineiro de Inovação): http://www.simi.org.br/coluna/espaco-maker-nas-instituicoes-de-ensino

EDTECHS – UM SETOR EM FRANCO CRESCIMENTO

EdTechs: o que os números nos dizem sobre estas empresas, no Brasil.
Fonte: PixaBay

É sabido a necessidade de mudar, inovar, transformar o setor educacional como um todo. O mundo tem mudado há uma velocidade alucinante. Muitas funções, profissões, cargos que existem hoje, em alguns anos não existirão. Se tornarão obsoletos, substituídos pela inteligência artificial. Segundo o estudo “Projetando 2030: uma visão dividida do futuro” encomendado pela Dell Technologies ao Institute For The Future, 85% dos trabalhos em 2030 ainda não existem, então é extremamente difícil prever e acompanhar quais habilidades específicas serão necessárias de formas tradicionais. Sendo assim, é mais do que plausível que mudemos a forma de educar.

Muitas instituições de ensino, sejam de qual nível for (infantil, fundamental, superior) ainda tem uma visão muito tradicional do negócio e dificuldades em implantar as inovações necessárias.

Então, um setor vem despontando em oferecer estas inovações: as EdTechs. EdTechs são startups de tecnologia voltadas para educação.

Estas Startups já estavam em franco crescimento antes da pandemia do COVID – 19. Após esta pandemia, os números alavancaram.

Segundo a EdTechX Global Report, o mercado global de edtech foi avaliado em cerca de US$ 186 bilhões em 2019 e pode alcançar US$ 368 bilhões em 2025, já contabilizando os impactos do novo coronavírus. A maior parte desta fatia (47% – equivalente a US$77,2 bilhões) foram das empresas voltadas para educação básica. Os outros setores contemplados são educação infantil, educação superior, educação complementar e educação corporativa.

Informações da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) relatam que o Brasil finalizou 2020 com 449 edtechs, sendo que:

  • 22,4% atuam com ensinos específicos tais como tecnologia, idiomas, finanças;
  • 22,2% atuam com novas formas de ensino relacionadas a gamificação, realidade virtual e aumentada;
  • 20% atuam com plataformas para educação;
  • 17,5% desenvolvem ferramentas para instituições de ensino;
  • 11,1% têm foco no estudante em preparação para vestibular e concursos, vocação e carreira;

Minas Gerais aparece em terceiro lugar em número de edtechs, com 9,7% das empresas. Em primeiro lugar temos São Paulo, com 45,3% e em segundo o estado do Rio de Janeiro, com 10,9% das empresas.

Recentemente duas edtechs brasileiras receberam aporte milionário, confirmando o crescimento da área. Uma delas é a Descomplica, especialista em ensino on-line, recebeu aporte de R$450 milhões. A outra edtech é a Hotmart, empresa que oferece um site para hospedagem de cursos on-line, venda de ebooks, entre outros, recebeu investimentos de R$750 milhões, se tornando o mais novo unicórnio brasileiro (unicórnios são empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão).

As soluções educacionais ofertadas por estas startups seguem as seguintes tendências:

  • Jogos educativos: plataformas, sistemas ou aplicativos que auxiliam na aprendizagem por meio de gamificação;
  • Plataformas adaptativas: plataformas inteligentes que usam softwares que propõem atividades diferentes para cada aluno, sob medida, a partir de suas respostas e reações às tarefas. Permite a personalização do ensino.
  • Sistema gerenciador de aprendizado – LMS: plataformas que oferecem às instituições a habilidade de treinar, ensinar, gerenciar e monitorar os estudantes.
  • Sistema gerenciador de conteúdo – CMS: é um software que permite usuários não-técnicos a armazenar, organizar e publicar conteúdo na web de maneira fácil.
  • Sistema gerenciador educacional: serviços de apoio à gestão de processos e atividades de uma instituição de ensino tais como matrícula, rematrícula, sistema financeiro, organização acadêmica e de secretaria, captação e seleção.

Para quem está pensando em investir em uma edtech existente ou iniciar uma, o momento é propício. Estar ciente dos desafios que a legislação educacional brasileira apresenta e de se empreender no país é fundamental. Mas a inovação educacional é um caminho sem volta. Quem aceitar o desafio poderá ter muito a ganhar e a ajudar nesta empreitada.

REFERÊNCIAS: 

Artigo publicado originalmente no site do SIMI (Sistema Mineiro de Inovação)

OPEN INNOVATION NA EDUCAÇÃO

Artigo publicado originalmente no SIMI – Sistema Mineiro de Inovação

O que é e qual a importância da implantação do Open Innovation nas Instituições de Ensino Superior.

As Instituições de Ensino Superior (IES) são locais onde as ideias fervilham, mas quem nem sempre são aproveitadas. Isto geralmente acontece por falta de conhecimento de técnicas para colocar as ideias em prática.

Uma metodologia muito interessante, que pode facilmente ser aplicada na educação é a Open Innovation.

A expressão Open Innovation tem sua origem na Universidade de Berkeley. O conceito nasceu a partir do professor Henry Chesbrough, ex-gerente de uma empresa de tecnologia no Vale do Silício. Definindo de forma simplificada, open innovation é uma forma de inovação mais descentralizada e colaborativa. Trazendo para o lado educacional, a ideia é que a instituição de ensino se conecte a vários outros setores, gerando inovação em seus serviços, produtos e processos. Bacana isto né?

Esta colaboração pode trazer soluções fantásticas e inesperadas. Mas, como realmente isto pode ser feito nas instituições de ensino?

Várias são as formas de praticar esta técnica. Vou apresentar algumas para vocês:

  • Meetup
  • Webinares
  • Missões Técnicas
  • Hackathons
  • Hub de Inovação
  • Startups

1 – Meetup: Meetup é uma metodologia, desenvolvida no Vale do Silício, que se baseia em encontros presenciais, de curta duração, para discussão de temas específicos e formação de networking. As IES podem facilmente proporcionar este tipo de encontro, trazendo pessoas especialistas em temas relevantes e engajando seus docentes, discente e técnicos – administrativos na participação.

2 – Webinares: Webinares são eventos on-line, que pode ser gravado ou ao vivo, onde a inteiração dos ouvintes é via chat.  A ideia é um pouco parecida com a do meetup, mas com a vantagem do on-line, aumentando assim o poder de participação.

3 – Missões Técnicas: Metodologia fantástica para troca de experiências, as missões técnicas são visitas que as IES podem fazer a outras IES, centros de tecnologias, indústrias, tudo isto no mesmo país ou até mesmo em outros países, a fim de adquirir conhecimentos sobre tecnologias, produtos, serviços, cultura, entre outros.

4 – Hackathons: O hackathon é uma maratona de programação e prototipagem, que reúne um grupo de pessoas, em um espaço curto de tempo, geralmente uma imersão de um final de semana, para criarem soluções inovadoras para algum problema específico. Esta metodologia é ótima para a conexão IES – indústria – mercado de trabalho. Aqui as indústrias interagem com a academia, tendo soluções inovadoras e, por outro lado, os discentes colocam realmente em prática o seu aprendizado, caminhando, quase sempre, para a abertura de uma startup.

5 – Hubs de Inovação: Os hubs são locais onde as pessoas interagem, criam, empreendem, trabalham juntas e inovam em rede. Neste caso, há duas opções para as IES: montar o seu hub ou se associar a um. As duas opções são ótimas e vai depender do nível de maturidade em inovação da instituição. Dentro deste hub pode ser desenvolvido um programa de ideias, onde todos os funcionários podem participar, desenvolvendo mais ainda a escola.

6 – Incentivo a criação de Startups: Segundo SEBRAE *: “uma startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.” IES incentivando a criação de destas empresas é fantástico. É um incentivo ao empreendedorismo.

As vantagens de as IES criarem estes programas são enormes. A seguir cito algumas delas:

– Estimular a cultura de empreendedorismo e inovação;

– Favorecer o intraempreendedorismo;

– Conexão com profissionais e empresas de referência, no cenário da Educação e Inovação;

– Posicionamento Estratégico da Instituição de Ensino como importante player no ecossistema de empreendedorismo e inovação em sua região de atuação;

– Troca de conhecimentos;

– Estabelecimento de parcerias com empresas, profissionais e instituições de ensino em outras localidades, dentro e fora do Brasil.

– Criação de Programa de Ideias

Estas ações beneficiam todo o ecossistema de educação e inovação. Traz empoderamento para os discentes e colaboradores. Auxiliam as indústrias. Faz crescer o empreendedorismo. Contribui para o crescimento da economia do país.

*SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas 

PROCESSOS EDUCACIONAIS E SUAS QUESTÕES

Neste artigo iremos conhecer alguns processos educacionais e como a ineficiência deles pode impactar na captação e retenção dos alunos.

Processos educacionais envolvem as rotinas diárias de uma instituição de ensino. Podemos citar alguns: financeiro, matrícula, rematrícula, admissão de novos alunos, comunicação, biblioteca.

Explico, brevemente, alguns destes processos, para trazer maior clareza:

  • Financeiro: este setor engloba o controle das despesas e receitas de maneira a manter o fluxo de caixa em níveis saudáveis;
  • Admissão de novos alunos: Basicamente, ele envolve a realização de uma prova na qual o candidato terá que obter um mínimo de aproveitamento para ingressar na instituição;
  • Matrícula: processo de registro de novos alunos;
  • Rematrícula: confirmação realizada pelo seu aluno do comprometimento de continuar os estudos em sua instituição de ensino a cada ano ou semestre.

Mesmo que a instituição atue sob pilares eficientes, é imprescindível que os processos educacionais também sejam eficientes.

Algumas ferramentas estão disponíveis para ajudar nesse processo. As planilhas são, de longe, a primeira ferramenta que as intuições em geral utilizam. Pelo menos em algum momento da existência da instituição, ela utilizou uma planilha.

O problema é que com o tempo, o aumento de alunos e de processos, essa solução acaba ficando obsoleta acarretando perdas para a instituição e em uma experiência ruim do cliente (aluno e futuro aluno).

Podemos dizer então que a gestão de processos educacionais consiste em um conjunto de ações teórico práticas que permitem à sua instituição desenvolver uma visão sistêmica de seus processos, proporcionando uma visão ampla, sem perder a atenção aos detalhes.

É primordial que as instituições entendam que a ideia de processos educacionais está diretamente ligada à experiência proporcionada ao estudante. Para ficar mais claro, você pode considerar que:

Processo: É tudo aquilo que seu potencial e atual aluno precisam fazer.

Experiência: É o que eles vão sentir ao realizar cada um dos processos educacionais adotados por sua instituição.

A tecnologia pode ser uma grande aliada na gestão de permanência e captação de alunos.

Uma ferramenta de qualidade permite o gerenciamento das finanças, por exemplo, o cadastro de novos estudantes, o reconhecimento da situação financeira e outras questões importantes para a gestão da escola. O sistema automatizado ajuda a identificar os bons pagadores.

Desta forma, é possível oferecer desconto, por exemplo, na efetuação de uma nova matrícula, o que contribui para a permanência do aluno.

Importante as instituições de ensino entenderem que a inserção de inovação nos processos educacionais é uma mudança de paradigma que desafia pressupostos básicos.

A CULTURA DIGITAL NA EDUCAÇÃO

Com a presença crescente da tecnologia dentro das instituições e organizações, o conceito de inovação parece ter se tornado seu sinônimo imediato. Mas o simples investimento em ferramentas resolverá os desafios de inovação na educação para uma instituição de ensino crescer?

Fonte: Pixabay

Compreendendo inovação como resultado da capacidade de criar soluções para problemas previamente identificados e como algo que vem de dentro para fora, a aquisição em si de uma tecnologia não é suficiente para garantir que sua instituição de ensino seja inovadora – ao passo que as ações que promovam a geração de uma cultura empreendedora e de inovação em toda equipe, podem sim ser determinantes.

Segundo Andrea Iorio “O cenário da transformação digital impõe mudanças que não permitem nada estático, sejam empresas, pessoas ou sociedades. Tudo precisa se transformar”. Particularmente, os profissionais ligados à educação, precisam estar abertos a desaprender e a reaprender.

Mesmo depois de tantos anos do surgimento da transformação digital, ainda hoje ela não está inserida em muitas empresas. Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, em2018, 8 em cada 10 entrevistados realizaram esforços de digitalização em suas empresas nos últimos 5 anos, mas menos de um terço delas conseguiu ter sucesso em melhorar o desempenho.

As instituições de ensino não fogem a esta regra. Muitas, apesar de ter uma excelência no ensino, possuem processos que passam longe desta transformação.

É importante criar projetos estruturados onde a implementação da transformação melhore seu desempenho e sustente os ganhos existentes.

O ambiente de qualquer instituição de ensino deve favorecer a inovação, não apenas em sala de aula, mas em todos os seus processos, deve ser flexível, ter diversidade e incentivar o questionamento.

As tecnologias sim são importantes, mas são ferramentas. O principal no processo de Transformação Digital são as pessoas.

Precisamos realmente rever conceitos e processos que envolve o sistema educacional.

Todos que participam destes processos, gestores, docentes, corpo administrativo devem estar envolvidos nesta mudança.

“Tudo mudou. As empresas mudaram. A sociedade mudou. A sua vida mudou

Mas algumas coisas insistem em continuar no passado, não evoluir, pelo menos não na velocidade que deveriam. E o ensino tradicional é uma delas.”

EDTECH: O QUE É E COMO ELA VEM INOVANDO O MERCADO DA EDUCAÇÃO

  • As Edtechs buscam transformar a educação, tornando-a mais acessível, interativa e facilitada.
  • As dificuldades dos alunos podem ser contornadas através de tecnologias especializadas.
  • A Gamificação pode ser uma ótima forma de tornar os alunos mais participativos e interessados.
  • As soluções digitais são capazes de ajudar não somente os alunos, mas também os professores.

A educação é um dos temas mais discutidos e falados dentro de uma sociedade, sendo de grande importância para a evolução de todos os aspectos sociais. Dessa maneira, criar soluções digitais que conseguem atender os problemas existentes no setor educacional é um grande desafio, mas uma ótima oportunidade de negócio.

O mercado das Edtechs tem ganhado grande notoriedade nos últimos anos, e é preciso estar atento aos seus resultados e como ele vem se desenvolvendo. Por este motivo, reunimos neste artigo todas as características do setor, explorando desde a sua explicação, o panorama do seu mercado e as tecnologias mais utilizadas no setor educacional.

Fonte: PixaBay
O que é Edtech?

Uma Edtech pode ser definida como a fusão de dois mercados: educação e tecnologia. De maneira mais detalhada, são novas empresas que incorporam o uso da tecnologia nos métodos de aprendizagem ou no gerenciamento das instituições, seja ele através de produtos, softwares, aplicativos ou outras ferramentas.

Panorama de mercado

De acordo com a METAARI, o montante de investimento em tecnologias em algum método de aprendizagem, ultrapassou US$16 bilhões em 2018, sendo esses investimentos liderados por China e Estados Unidos. E, aliado a isso, a relação de negócios envolvidos no setor apresentou números expressivos, sendo que 1.087 empresas obtiveram investimento.

Em um relatório realizado pela EdTechXGlobal, em parceria com a IBIS Capital, no ano de 2016, foi divulgado que o mercado cresceria, até 2020, cerca de 17% ao ano, chegando em US$252 bilhões neste ano.

Outra questão levantada pelo relatório, trata do crescimento populacional e de como ele será um desafio para o setor. A previsão é que até 2035 haja cerca de 2,7 bilhões de estudantes em todo o mundo e as empresas precisam estar preparadas para comportar a demanda tecnológica dentro do setor educacional.

Entretanto, no mundo todo a educação ainda é considerada um mercado difícil para alcançar retornos de escala para os investidores. As Edtechs enfrentam desafios como o acesso a venda para as instituições escolares, mas é um mercado que ainda há muito a ser explorado.

Características do mercado brasileiro

Em um mapeamento pela CIEB (Centro de Inovação para Educação Brasileira) em parceria com a ABStartup, podemos identificar que o mercado brasileiro de Edtech está em evidência.

Principalmente porque as empresas que trabalham com educação ou algum método de aprendizagem se diferenciam de outros segmentos de mercado, por ter grande responsabilidade social e gerar impactos significativos sobre o meio no qual fazem parte.

Em um report divulgado pela Distrito, foi divulgado que no ano de 2019 havia cerca de 432 startups relacionadas com algum processo educativo, sendo que a maioria delas são voltadas para ferramentas usadas nas instituições, tanto para a gestão como para ferramentas usadas em sala de aula.

Outro dado interessante é que mais de 60% das Edtechs se concentram na região sudeste do país, e grande parte dessas empresas são consideradas pequenos negócios. Por conta disso, esse mercado se torna uma boa oportunidade de negócio, pois possui grande possibilidade de expansão.

Mas, apesar do seu potencial, o setor também enfrenta muitas barreiras no mercado brasileiro. Segundo Mairum Andrade, gerente de tecnologias educacionais do CIEB, o mercado brasileiro se depara com alguns desafios que precisam ser superados:

O primeiro é que se trata de um mercado em que mais de 80% das escolas de ensino básico são públicas, e a aquisição ou a contratação de tecnologia pelas redes públicas de ensino ainda é muito baixa, pouco estruturada e muito burocratizada. O segundo motivo é a mudança de cultura dos educadores, pois a inserção da tecnologia na educação requer novas formas de ensino.

Quando uma instituição busca renovar seu capital tecnológico, estando por dentro das novas tendências do mercado e de novos métodos de ensino, está automaticamente avançando mais do que as empresas que não o fazem. Isso gera uma vantagem competitiva frente às outras instituições.

Tendências do setor

Algumas tecnologias estão se destacando no mercado pela forma que conseguiram inovar e melhorar a eficiência nas instituições. Elas podem ser aplicadas em diferentes ramos, na educação básica, à distância e também na educação corporativa, visto o quanto as empresas buscam, atualmente, capacitar seus colaboradores.

Levantamos algumas dessas tendências relacionadas à recursos tecnológicos em sala de aula e quais as experiências de seu uso na prática:

  • Aprendizagem imersiva
  • Big Data
  • Inteligência artificial
  • Gamificação
  • E-learning
  • Plataformas digitais
1. Aprendizagem imersiva

O principal objetivo desse método de aprendizagem é colocar o estudante no centro do ensino e isso ocorre pelo o que chamamos de imersão. Essa imersão acontece em razão de estímulos visuais, sonoros e até táteis.

Esse tipo de metodologia vem ganhando força a partir do pressuposto de que os métodos de ensino se tornam mais eficientes à medida que promovem o desenvolvimento e estimulam habilidades necessárias para um bom desempenho dos alunos.

Geralmente, as atividades ocorrem através de ferramentas multimídias, como jogos, aplicativos, softwares, acessórios de realidade virtual, etc. Uma dessas funcionalidades, que já está sendo bastante utilizada, é a realidade aumentada. Nela, o ambiente físico é transportado para o ambiente virtual.

Um artigo publicado pelo Journal of Science Education and Technology, mostrou que o uso da robótica em sala de aula melhora o processo de aprendizagem dos alunos em matérias como matemática e engenharia.

Sua aplicação é bastante acessível, geralmente feita pela leitura de QRCode em aplicativos, dando, aos gestores, acesso a uma enorme variedade de programas a serem utilizados, ou construídos de acordo com necessidade dos alunos.

2. Big Data

O uso da análise de dados na educação é chamada de learning analitycs,  e pode oferecer aos educadores e gestores de uma instituição de ensino, uma visão mais profunda acerca do processo institucional. Dados como faixa etária, renda, notas, frequência, evasão escolar, podem gerar insights que melhoram a gestão escolar.

Hoje, já existem algumas plataformas que trabalham com esse tipo de análise no mercado. A Tunedec, por exemplo, é uma empresa especializada na coleta de dados educacionais, que são reunidas por plataformas online e geram resultados para melhores decisões.

Para Ricardo Madeira, professor de economia da FEA/USP e sócio fundador da Tuneduc, esses dados são muito importantes para o setor:

Com essas devolutivas em mãos, dá para fazer uma análise minuciosa dos resultados e pensar em estratégias para melhorar os pontos deficitários

São muitas as vantagens ao aderir esse tipo de análise, com a possibilidade de monitorar quanto tempo os alunos demoram a responder uma pergunta, por exemplo, os relatórios podem sugerir a área de interesse dos alunos, e a partir dessa análise gerar programas de ensino personalizados para cada área.

Todas essas métricas podem ser usadas, principalmente, para diminuir a evasão escolar, com o monitoramento constante do aluno é mais fácil mantê-lo engajado nas suas atividades e extrair um maior aproveitamento.

3. Inteligência Artificial

Em um relatório elaborado pelo SESI e pelo SENAI, foi abordado quais as tecnologias educacionais, baseadas em inteligência artificial, que serão usadas até 2030. Segundo o documento, até lá, algumas tecnologias já deverão estar difundidas em até 50% das escolas, sejam elas públicas ou privadas.

Entre as tendências citadas, está o uso do Sistema Tutorial Inteligente (STI), a ferramenta identifica se o aluno adquiriu conhecimento sobre o tema ensinado e qual sua emoção ao resolver aquele problema. O sistema permite saber qual a melhor estratégia pedagógica a seguir com cada aluno.

Outra solução citada pelo documento é o Processamento de Língua Natural (PNL), em que o computador interpreta a linguagem humana. Esse sistema pode contribuir cada vez mais com o intercâmbio entre alunos de nacionalidades diferentes e para a transmissão em tempo real de aulas em línguas distintas.

Por fim, a computação em nuvem, um acesso compartilhado de dados e conteúdos, também é citada pelo documento. Segundo a previsão feita no estudo, até o fim deste ano, 11% a 30% das instituições já devem utilizá-la. E, até 2030, seu uso já seja comum em cerca de 70% das instituições.

4. Gamificação

A gamificação consiste em utilizar jogos para o processo de aprendizagem, ela funciona para despertar o interesse e a participação dos estudantes, além de desenvolver a criatividade e autonomia entre eles.

Um jogo que é muito utilizado na sala de aula, atualmente, é o Manecraft, um jogo virtual, de construção com blocos. Mesmo não sendo um jogo especificamente educativo, ele consegue ajudar no desenvolvimento criativo e espacial dos alunos.

Existem também diversas plataformas que disponibilizam jogos institucionais e voltados especificamente para cada tipo de estudante, de acordo com as dificuldades, faixa etária, matérias e outras características específicas. Um exemplo é a plataforma Mangahigh, que possui jogos interativas para o aprendizado em matemática.

Atento ao cenário dos jogos, o SENAI buscou uma forma de introduzi-los nos materiais didáticos de seus alunos. Logados em um aplicativo próprio, os alunos acessam conteúdos que são selecionados pelos professores e realizam suas atividades em forma de jogo virtual. Eles são premiados com medalhas e podem até compartilhar as conquistas nas redes sociais.

5. E-learning

O método de ensino E-learning consiste na aprendizagem eletrônica, ou seja, é um método de ensino que tem a internet como principal ferramenta para seu funcionamento. Ele possui ambientes virtuais de aprendizagem que são usados para a comunicação, distribuição de materiais e conteúdos online.

O ponto principal de uma plataforma E-learning é a possibilidade de que seja feito a interação entre o aluno e o professor totalmente a distância. Caso existam aulas presenciais é chamado de blended learning, ou seja, é a junção dos dois métodos de ensino .

As plataformas são feitas através do LMS (Learning Management System), que é um software utilizado para criação de cursos online, mas que auxilia no gerenciamento dos cursos, dos participantes e dos resultados gerados.

Hoje, podemos dizer que o ensino a distância já é algo comum e tem tudo para crescer ainda mais, principalmente nas redes de ensino superior. Visto que os seus benefícios e vantagens estão alinhadas com a nova realidade da educação e com o novo perfil dos alunos.

6. Plataformas digitais

Uma das principais tendências são as plataformas de ensino criadas pelas instituições para o uso interno. Essas plataformas geralmente servem como canais de comunicação entre professores e alunos.

Além disso, elas podem auxiliar no armazenamento e compartilhamento de dados, e na facilitação de que alguns serviços, como efetuação de matrículas e pedido de alguma documentação no ambiente online.

Para as empresas que desejam obter alguma plataforma educacional, o processo de implementação pode ser demorado e cheio de adaptações. É preciso ter uma estrutura web adequada para que o sistema funcione corretamente, assim como colaboradores para constante atualizações.

Desafios para o uso da tecnologia na educação

Um dos maiores desafios encontrados é o receio que os professores, ou até mesmos os gestores de uma instituição, possuem no processo de inclusão de uma tecnologia. Para isso é importante entender que a tecnologia não é usada para substituir a sala de aula, mas para auxiliar no processo de aprendizagem.

Para tratar dos desafios que são encontrados na implementação de tecnologias, usamos como base uma pesquisa realizada pelo instituto Todos pela Educação em parceria com outras instituições. Ela mostra que 55% dos professores do ensino público utilizam alguma ferramenta digital em sala.

E que os fatores que mais os limitam para que possam expandir as atividades é a falta de infraestrutura e a falta de formação adequada. Principalmente porque esses recursos precisam de suporte e, por isso, as vezes a falta de infraestrutura dificulta o monitoramento e uso dos recursos.

Os resultados também mostraram que os docentes estão dispostos a usar tecnologia digital em sala e que, havendo ferramentas relevantes para o desenvolvimento dos trabalhos, com as condições adequadas de uso, há um enorme potencial pedagógico para se atingir com o uso dos recursos tecnológicos.

Outro desafio encontrado é que muitos docentes apontaram que o uso dos recursos tecnológicos causam uma sobrecarga em suas rotina, esse acúmulo de atividade está principalmente ligado na seleção de materiais para as aulas, aplicação de provas, acompanhamento dos alunos.

Então, é muito importante que antes de decidir a viabilidade da implementação de uma tecnologia, fazer as escolhas certas sobre quais ferramentas irão de fato auxiliar os professores no ensino, para que sirva como suporte para que eles otimizem sua rotina.

Conclusão

Como é possível perceber, o mercado das Edtechs ainda vai causar muitas mudanças no setor educacional, e são muitas as vantagens que elas trazem para as instituições. Principalmente por conseguirem otimizar o tempo e o custo gasto com a gestão e aplicação do conteúdo, alcançando resultados melhores.

Um dos desafios a ser superados no Brasil é que muito dos alunos se encontram na rede de ensino pública, cerca de 85%. E, por conta da falta de investimentos governamentais em soluções digitais destinas a educação, muitas empresas não conseguem vender seus produtos ou prestar seus serviços às escolas.

No entanto, é um mercado com muitas possibilidades e com espaço para novas ideias. Sendo assim, vale a pena investir em soluções personalizadas e ter sempre a tecnologia ao lado para potencializar o ensino e o relacionamento das instituições com os alunos.

Fonte: https://gobacklog.com/blog/edtech/